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Citamos artigo, de autoria de Vera Lúcia Arreigoso, publicado no Semanário “Expresso” de 14 de Abril de 2006.
 
«Ganhar Asas» é a designação do novo programa de tratamento das fobias de voo
Especialistas curam medo de voar
 
Vera Lúcia Arreigoso
 
A TAP e a UCS - Cuidados In­tegrados de SaúdeGanhar Asas. À esquerda A/B Joana Sara, associada APTCA vão iniciar na terça-feira uma consulta capaz de curar o medo de voar em 48 horas. Para «Ga­nhar Asas» (a designação do programa) o futuro passagei­ro terá de pagar 600 euros e superar com sucesso a «expo­sição ao vivo», ou seja, viajar de avião como terapia.
O tratamento realiza-se nas instalações da TAP – on­de a empresa especialista em medicina aeronáutica UCS está igualmente sediada – e será assegurado por dois psi­cólogos com experiência ae­ronáutica, um piloto-coman­dante do Gabinete de Segu­rança de Voo da TAP e uma assistente de bordo, com for­mação em psicologia. As ses­sões são em grupo, de dez a 15 pessoas.
 
Voo a Madrid é o teste. 
Para «Ganhar Asas», o parti­cipante começa por ser sujei­to a uma avaliação psicológi­ca para «diagnosticar e cate­gorizar o tipo de medo apresentado», explica a res­ponsável pelo programa, a psicóloga clínica Cristina Al­buquerque. «Uma pessoa que tem medo de andar de elevador não pode entrar num avião. Neste caso, te­mos de tratar primeiro a claustro fobia», justifica. Na prática, a avaliação inicial ser­virá para garantir a admissão exclusiva das pessoas com fo­bia de voo incapacitante.
O tratamento começa dias depois - o primeiro a 26 e 27 deste mês - e inclui a visita ao simulador de voo da TAP e ao aeroporto, in­formação sobre aspectos técnicos da aviação, proce­dimentos de embarque, téc­nicas de controlo da ansie­dade e outros.
 
Na Europa, as consultas de fobias de voo há muito que são asseguradas pelas maiores transportadoras e as taxas de sucesso «ron­dam os 90 por cento», reve­la a psicóloga. Sobre a procu­ra, Cristina Albuquerque também não tem dúvidas e cita o Health Institute of Aviation para dizer que «dez a 40 por cento da po­pulação mundial adulta sentirá medo de voar».
Os portugueses não são excepção. «Estou na UCS desde 1990 e pontualmen­te surgem casos sobre o medo de voar», diz a psicólo­ga, que faz questão de acres­centar que «o facto de mui­tas pessoas trabalharem na TAP não as imunizou».
Segundo a especialista, a experiência ensina que a maioria das vítimas de aerofo­bia esconde o medo por sa­ber que é irracional. «A Boeing diz que existe. um fenómeno de 'no show' as­sociado à fobia. As pessoas vão até ao limite e desis­tem no momento do em­barque ou optam por, a bordo, consumir álcool ou tranquilizantes para ate­nuar a ansiedade».
 
Informação evita fobia.
Maria - nome fictício ­- quebrou a regra e procurou ajuda. Com 54 anos e com uma actividade laboral na área informática, Maria este­ve 30 anos sem viajar de avião devido a claustrofobia e a crises de pânico. «Tenho, uma irmã na África do Sul e estava sempre a prome­ter-lhe uma visita. No ano passado decidi ir lá no Na­tal e procurei ajuda na UCS». Quatro sessões com Cristina Albuquerque fo­ram suficientes para embar­car num voo com mais de dez horas.
A psicóloga garante que não tem uma «varinha de condão» e que o segredo é muito simples: «A liberda­de para fazer todas as per­guntas». Diz Cristina Albu­querque que a falta de infor­mação fomenta o medo pelo desconhecido, que pode transformar-se numa fobia entre as pessoas que têm ne­cessidade de controlar tudo. Segundo a psicóloga, os fac­tores que estão na origem do medo de voar são a vivência de um episódio como turbu­lência a bordo; uma experiên­cia negativa vivida por outra pessoa, vista na televisão ou no cinema; o facto de nunca ter voado ou a falta de infor­mação. Cristina Albuquer­que deixa, por isso, um aler­ta: «As pessoas que evitam voar uma vez estão a refor­çar a sua aerofobia».
 
Truques antiaerofobia
. Estar informado sobre aspectos técnicos da aviação
. Ganhar familiaridade com aeronaves
. Conhecer os passos necessários para embarcar
. Controlar a respiração para diminuir a ansiedade
. Catalogar as situações, como barulhos ou turbulência, como normais
. Substituir os pensamentos negativos e catastrofistas por ideias positivas, racionais e adequadas à realidade

Livro
Guia prático para voar confiante e descontraído, de Cristina Albuquerque. À venda na APTCA. »»